sábado, novembro 01, 2008

Monsieur de La Palice goes to America

[Ou: Uma certa ideia da América]


Acho muita graça às pessoas que se dizem fãs da América e que depois, confrontadas com o American dream, advertem, com ar grave, que ele vai desiludir. Pois - mas não será da natureza do dream?

quinta-feira, outubro 30, 2008

Pub.


Desta vez é sem novidade, mas faz uma capa bonita.

Quem gostar de ironia trágica, pode entreter-se a ler o editorial de há oito anos, a apoiar George W. Bush.

quarta-feira, outubro 29, 2008

Vinícius Cantuária

Se amanhã às dez vou ao Olga Cadaval, é estritamente por causa disto aqui.

segunda-feira, outubro 13, 2008

Fundo de ecrã

Aqui, o segredo está nas imperfeições, na curva da perna demasiado magra, na manchinha:


Obrigado.

Funny thing

A funny thing happened to me this morning…

[uma sugestão do Pedro]
Aliás: este post do Pedro Magalhães já não faz exatamente parte de «um blogue sobre sondagens e estudos de opinião». É parte de um projeto paralelo, a que por conveniência podemos chamar O Céu sobre Columbus, Ohio.

Hope

«Tenho assim um palpite sobre o partido em que a maior parte das pessoas abaixo estão a votar.»

[early voters em Columbus, Ohio. Foto e legenda de Pedro Magalhães]

sábado, outubro 11, 2008

Se tiverem meia-hora ocupada com uma coisa rotineira, como ver a bola ou passar a ferro, experimentem ouvir a entrevista do Miguel Esteves Cardoso ao Carlos Vaz Marques, na semana passada. Em princípio, deve ser só questão de seguir este link. Acho que gostei mais da primeira metade do que do resto, mas, de qualquer forma, o importante é isto: neste último ano ou assim, tenho achado graça ao Miguel Esteves Cardoso como não achava desde os anos 80. E isto, se for verdade, é um milagre.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Um daily show


Nos EUA, há uma nova Comedy Central, com um novo Daily Show.

Fareed Zakaria: It's not that she doesn't know the right answer. It's that she clearly does not understand the question. This is way beyond anything we have ever seen from a national candidate.
Alaska is an unusual state. 85% of its budget comes from oil revenues. Basically, you're just distributing oil revenues that are being provided for you by digging holes in the ground. This is good training to be president of Saudi Arabia, not the United States.
The most scary answer in the Katie Couric interview was not on foreign policy. The foreign policy stuff was funny. The scary answer was on the economy.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Nós roemos


Há duas maneiras de assinalar, hoje, o centenário da morte do escritor brasileiro Machado de Assis. (Há mais.) Das dez da manhã às seis da tarde, na casa Fernando Pessoa (um lugar que para mim se tornou menos simpático desde que a atual diretora tomou posse), faz-se leitura integral de
Memórias Póstumas de Brás Cubas. «Faz-se» significa que lê quem quiser ler e estiver presente. (Também podia ser o Dom Casmurro ou alguns contos.) Na Gulbenkian, há um colóquio sobre Machado de Assis, com intervenções dos maiores especialistas, como John Gledson ou Abel Barros Baptista.
Machado de Assis é para mim um conhecimento relativamente recente. Só o descobri mesmo com a leitura da antologia de contos
organizada por Abel Barros Baptista para a coleção da Cotovia. Depois li Memórias Póstumas e reli Dom Casmurro. É isso mesmo: reli Dom Casmurro. À primeira (e olhem que não foi assim há tanto tempo), tinha-me passado completamente ao lado. Foram os contos que me permitiram descobrir o que tinha lido antes.
Há quem diga que Machado de Assis é o maior ficcionista da língua portuguesa. Isto, dito por pessoas que sabem do que falam. É para mim, mas desconheço quase tudo.

OS VERMES

"Ele fere e cura!". Quando, mais tarde, vim a saber que a lança de Aquiles também curou uma ferida que fez, tive tais ou quais veleidades de escrever uma dissertação a este propósito. Cheguei a pegar em livros velhos, livros mortos, livros enterrados, a abri-los, a compará-los, catando o texto e o sentido, para achar a origem comum do oráculo pagão e do pensamento israelita. Catei os próprios vermes dos livros, para que me dissessem o que havia nos textos roídos por eles.

— Meu senhor, respondeu-me um longo verme gordo, nós não sabemos absolutamente nada dos textos que roemos, nem escolhemos o que roemos, nem amamos ou detestamos o que roemos; nós roemos.

Não lhe arranquei mais nada. Os outros todos, como se houvessem passado palavra, repetiam a mesma cantilena. Talvez esse discreto silêncio sobre os textos roídos fosse ainda um modo de roer o roído.