segunda-feira, outubro 13, 2008

Aliás: este post do Pedro Magalhães já não faz exatamente parte de «um blogue sobre sondagens e estudos de opinião». É parte de um projeto paralelo, a que por conveniência podemos chamar O Céu sobre Columbus, Ohio.

Hope

«Tenho assim um palpite sobre o partido em que a maior parte das pessoas abaixo estão a votar.»

[early voters em Columbus, Ohio. Foto e legenda de Pedro Magalhães]

sábado, outubro 11, 2008

Se tiverem meia-hora ocupada com uma coisa rotineira, como ver a bola ou passar a ferro, experimentem ouvir a entrevista do Miguel Esteves Cardoso ao Carlos Vaz Marques, na semana passada. Em princípio, deve ser só questão de seguir este link. Acho que gostei mais da primeira metade do que do resto, mas, de qualquer forma, o importante é isto: neste último ano ou assim, tenho achado graça ao Miguel Esteves Cardoso como não achava desde os anos 80. E isto, se for verdade, é um milagre.

quarta-feira, outubro 01, 2008

Um daily show


Nos EUA, há uma nova Comedy Central, com um novo Daily Show.

Fareed Zakaria: It's not that she doesn't know the right answer. It's that she clearly does not understand the question. This is way beyond anything we have ever seen from a national candidate.
Alaska is an unusual state. 85% of its budget comes from oil revenues. Basically, you're just distributing oil revenues that are being provided for you by digging holes in the ground. This is good training to be president of Saudi Arabia, not the United States.
The most scary answer in the Katie Couric interview was not on foreign policy. The foreign policy stuff was funny. The scary answer was on the economy.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Nós roemos


Há duas maneiras de assinalar, hoje, o centenário da morte do escritor brasileiro Machado de Assis. (Há mais.) Das dez da manhã às seis da tarde, na casa Fernando Pessoa (um lugar que para mim se tornou menos simpático desde que a atual diretora tomou posse), faz-se leitura integral de
Memórias Póstumas de Brás Cubas. «Faz-se» significa que lê quem quiser ler e estiver presente. (Também podia ser o Dom Casmurro ou alguns contos.) Na Gulbenkian, há um colóquio sobre Machado de Assis, com intervenções dos maiores especialistas, como John Gledson ou Abel Barros Baptista.
Machado de Assis é para mim um conhecimento relativamente recente. Só o descobri mesmo com a leitura da antologia de contos
organizada por Abel Barros Baptista para a coleção da Cotovia. Depois li Memórias Póstumas e reli Dom Casmurro. É isso mesmo: reli Dom Casmurro. À primeira (e olhem que não foi assim há tanto tempo), tinha-me passado completamente ao lado. Foram os contos que me permitiram descobrir o que tinha lido antes.
Há quem diga que Machado de Assis é o maior ficcionista da língua portuguesa. Isto, dito por pessoas que sabem do que falam. É para mim, mas desconheço quase tudo.

OS VERMES

"Ele fere e cura!". Quando, mais tarde, vim a saber que a lança de Aquiles também curou uma ferida que fez, tive tais ou quais veleidades de escrever uma dissertação a este propósito. Cheguei a pegar em livros velhos, livros mortos, livros enterrados, a abri-los, a compará-los, catando o texto e o sentido, para achar a origem comum do oráculo pagão e do pensamento israelita. Catei os próprios vermes dos livros, para que me dissessem o que havia nos textos roídos por eles.

— Meu senhor, respondeu-me um longo verme gordo, nós não sabemos absolutamente nada dos textos que roemos, nem escolhemos o que roemos, nem amamos ou detestamos o que roemos; nós roemos.

Não lhe arranquei mais nada. Os outros todos, como se houvessem passado palavra, repetiam a mesma cantilena. Talvez esse discreto silêncio sobre os textos roídos fosse ainda um modo de roer o roído.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Um video do Maradona a fazer o aquecimento, quando ele era jogador do Nápoles, nos anos 80:


Quem gostar de ler, também pode entreter-se com
isto.

sábado, setembro 13, 2008

Democrático

Sim, eu tenho amigos de direita, mas da direita democrática: gente que se cumprimenta com dois beijinhos.

quinta-feira, setembro 11, 2008

A fama póstuma

Reparei agora que o post que esforçadamente escrevi sobre O Céu sobre Lisboa ficou com o seguinte endereço:

Exatamente: «O cu sobre», porque o
blogger não reconhece letras com acento. Outra coisa interessante é que, neste post do maradona, um comentador Tiago informa que «Infelizmente o autor do blog em causa [O Céu sobre Lisboa] faleceu há uns meses.» Notem a linguagem ponderosa: «infelizmente» e – é quase jurídico – «o blog em causa». É esta escolha de palavras que dá credibilidade ao texto.
Acho que o Pedro Ornelas acharia graça aos caminhos da fama póstuma. É o género de ironia do quotidiano que não morreu com ele.

sábado, setembro 06, 2008

Um aviso feito a tempo


na Fajã de João Dias, ilha de São Jorge (Açores). Clicar para ler

As alminhas que aqui vêdes
de labarédas vestidas,
quem sabe se representam
as vossas almas queridas.

(e, mais acima)

Entre o Purgatório e o Céu
quantas vezes não vai mais
que o passo do Padre Nosso
resado quando passais.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Revista de blogs

No dia de hoje, há setenta anos, Orwell passou ao largo da costa portuguesa, assinalando o cabo da Roca e o cabo de São Vicente. O dia estava “very hot, and the sea bright blue”. Orwell avistou gaivotas de um tipo que não conhecia, que se chegavam muito perto da água “como mochos sobre a relva”, e também andorinhas; disseram-lhe que na véspera se tinham visto baleias. Sei isto porque está escrito no seu diário, agora organizado como um blog.
Dentro do mesmo género, mas com observações mais completas e interessantes, no dia de hoje, há quatro anos, Pedro Ornelas divertiu-se com o SATU,
o «veículo» de Paço de Arcos; há três anos, estava na Madeira e tomou umas notas sobre a praça de táxis e sobre o cais; e há um ano, nesta mesma data, topou uns cavalos a galarem-se nuns painéis da Igreja de S. Tiago, em Évora.