
sábado, setembro 06, 2008
Um aviso feito a tempo

sexta-feira, setembro 05, 2008
Revista de blogs
Dentro do mesmo género, mas com observações mais completas e interessantes, no dia de hoje, há quatro anos, Pedro Ornelas divertiu-se com o SATU, o «veículo» de Paço de Arcos; há três anos, estava na Madeira e tomou umas notas sobre a praça de táxis e sobre o cais; e há um ano, nesta mesma data, topou uns cavalos a galarem-se nuns painéis da Igreja de S. Tiago, em Évora.
quinta-feira, setembro 04, 2008
Que há com o pato?

The ultimate Republican ticket
Mas houve uma ocasião em que o Pato Donald de facto foi a votos. Eu devia ter uns oito anos quando organizei a primeira eleição, em família. Não havia um posto específico em jogo; era uma eleição como jogo, o que era talvez normal para uma cabeça moldada pela experiência das presidenciais de 1980 e por passar os domingos à tarde com um jogo de sociedade chamado “As eleições e os partidos”. Os dois candidatos eram o Tio Patinhas e o Pato Donald e, de acordo com a dinâmica eleitoral, acabou por resultar convencionado que o Tio Patinhas era o candidato da direita e o Pato Donald o da esquerda.
A história da derrota do Pato Donald é um pouco embaraçosa. Naquela tenra idade em que os instintos se revelam mais crus, foi precisa uma certa ajuda minha para decidir o resultado. Esquerda e direita, a família dividiu-se ao meio. Uma avó, porém, tinha votado no Pato Donald de forma que considerei irregular (uma cruzinha fora do quadrado? Já não me lembro), fechando os olhos ao facto de que um avô tinha votado Tio Patinhas de forma igualmente irregular (não preencheu o boletim e deu-me simplesmente um papelinho com o nome escrito: Tio Patinhas). Graças a este expediente, o milionário de Patópolis venceu a eleição sem posto pela estreita margem de doze a onze, ou coisa parecida.
O Pato Donald candidato da esquerda, o eleitorado dividido ao meio e o resultado decidido com uma chapelada. O meu pequeno sufrágio familiar antecipou a grande política americana em duas décadas; quem diria.
O tabuleiro de "As eleições e os partidos" pode ser visto neste forum dedicado ao museu do brinquedo, de Sintra.
segunda-feira, setembro 01, 2008
O Céu sobre

Deixem-me que tente dizer por que é que (como assinalei antes muitas vezes), O Céu sobre Lisboa era o meu blog preferido.
Uma vez eu estava na Madeira, já lá estava há uns três ou quatro dias, e lembrei-me de lhe enviar um email a pedir sugestões, porque ele tinha falado várias vezes da Madeira no blog (o Pedro passou anos da adolescência no Funchal e tinha família lá). Por coincidência – isto foi no réveillon de 2005/6 – ele também estava no Funchal. Tudo o que vi na Madeira nos dias seguintes devo-o ao Pedro, e poderia ter ficado mais uma semana na ilha, porque havia mais para ver. Vejam bem: eu até estava com pessoas de lá; mas nem toda a gente tem o olho do Pedro. Os primeiros dias foram pardacentos, os seguintes excelentes. Este ano, em São Paulo (novamente estando com pessoas de lá), fiz a mesma coisa, porque me lembrava do entusiasmo com que o Pedro tinha falado da viagem dele à cidade. Em resposta, recebi um email de duas páginas. (Muitas das coisas que o Pedro referia até eram no bairro onde eu estava instalado, e não as tinha visto.)
Há muito tempo que eu tinha o desejo de fazer algum projecto de trabalho com o Pedro: uma revista, um guia de viagens, um documentário. (É uma pena que o Pedro não tenha escrito um livro de viagens.) O Pedro tinha um olho raro, curioso, inteligente, culto, sensível. Tinha também um tom pouco comum na escrita. Como se fosse tudo um pouco subdued. Os entusiasmos apareciam de forma entusiástica, sem dúvida (e havia muitos entusiasmos no blog dele), mas os textos nunca tinham a menor fanfarronice. (Essa coisa rara, não haver fanfarronice). Parece haver uma dúvida a atravessar a escrita, mas é uma dúvida inquisitiva, curiosa. Os textos eram limpos, impecáveis, irrepreensíveis. E eu tenho descoberto muitas coisas através da blogosfera, mas as coisas de que falava o Pedro eram daquelas em que eu atentava mais. Houve os passeios pela Madeira, as sugestões de São Paulo, mas há discos, blogs, livros que ainda recentemente comprei por me lembrar de ele ter falado. Livros que vou ler por causa do Pedro, e entretanto o Pedro até já morreu.
Eu e o Pedro não nos conhecíamos bem. Descobri-o no Agosto de há quatro anos (estava eu, justamente, em São Paulo), através de um email que ele escreveu para o blog do Francisco José Viegas e que me impressionou. Devemos ter-nos encontrado meia-dúzia de vezes. Há assim estas recordações dispersas. Um sms dele, uma vez, estava eu em Bombaim, a comentar a saída do Mário Mesquita de colunista do Público. Respondi: “Não sei de nada, estou em Bombaim.” Resposta dele: “Então, e isso é giro?”
O Pedro, ao que apurei, deve ter morrido no dia 10 de Agosto, domingo, de manhã, no hospital, na sequência de complicações decorrentes de uma operação ao fígado. (Eu só soube quase três semanas depois, e através de um amigo meu que nem sequer o conhecia.) Suponho que ele teria talvez 45 anos, ou coisa parecida. Acho que nunca foi a Bombaim nem voltou ao Brasil. Não sei se foi a São Jorge e às Flores, onde eu estava na semana em que tive a notícia, mas acho que ele teria certamente gostado muito dessas ilhas. Não escreveu um livro de viagens, e juntos não vamos fazer nenhuma revista nem sequer nenhum documentário.
Muitas vezes enviei posts do Pedro, por email, a amigos. Uma boa maneira de ler o blog é – como em todos – começar pelo princípio.
Date: Jan 2, 2006 1:45 AM
Subject: Re:
To: Ivan Nunes
Sugestões instantâneas. Comer peixe no Doca do Cavacas, a uns 5 km do centro, direcção oeste, à beira mar. Relação qualidade-preço imbatível, comida, localização e serviço impecáveis, convém marcar mesa. Tomar um café ou qualquer outra coisa na esplanada do Clube Naval (embora não tenha a certeza se está aberto nesta altura) ou na do Palheiro Golf. Beber um copo à noite no bar do Savoy Hotel, que vai ser demolido em breve e tem um ambiente que faz lembrar os filmes do 007 dos anos 60. Ir de manhã cedo ao pico do Areeiro (a essas horas há mais probabilidades de conseguir ver alguma coisa nesta época do ano). Ir almoçar ao Seixal (ao lado do cais, não me lembro o nome mas é o único neste sítio) ou à Fajã da Areia, perto de S. Vicente (também não me lembro o nome mas tem uma esplanada, fica na estrada do lado oposto ao mar, e servem um polvo muito bom). Capítulo bares no Funchal, o mais bonito é o Look, que fica no molhe da Pontinha e abre à tarde e à noite. Se quiseres visitar uma das livrarias mais disfuncionais do mundo, vai à Esperança na rua dos Ferreiros. Vale a pena, embora comprar livros seja difícil. O museu de arte contemporânea no forte de São Tiago vale pelo edifício, um antigo forte filipino à beira mar, e o mesmo vale para o novíssimo Centro Cultural Casa das Mudas, na Calheta.
domingo, julho 20, 2008
«Gonçalo Cadilhe, gostava que me explicassem este enigma. Gonçalo Cadilhe escreve no Expresso ou lá o que é. Como é possivel? Um dia destes, daqui a pouco quase dez anos depois, volto a comprar o Expresso, só para ver quantos "como é possivel?" se consegue encontrar por lá. No Público há alguns "como é possivel?"; no DN, curiosamente, parece-me haver menos "como é possivel?" que no Público. Nos jornais desportivos o raciocinio é o inverso. Sente-se o "como é possivel?" quando se encontra uma coisa boa, aparentemente bem escrita (que eu não percebo nada dessas merdas), pensada, com principio, meio, fim e lógica, por vezes mesmo imaginação e inteligência. Por incrivel que pareça, em todas as edições dos jornais desportivos temos sempre a oportunidade de emitir um "como é possivel?" É preciso compreender que eu agora poderia continuar por aqui fora, com um comboio de "como é possivel?" e só terminar amanhã.»
quarta-feira, julho 02, 2008
Um Sócrates
Federação Distrital de Castelo Branco do PS, em meados dos anos 80
Sobre Sócrates – O menino de ouro do PS, de
[Publicado na Time Out de hoje.]
A subdirectora da Antena 1, Eduarda Maio, a quem o programa de televisão "O Juiz Decide" deu nos anos 90 uma relativa notoriedade, acaba de publicar uma biografia do actual primeiro-ministro. E não há duas maneiras de dizer isto: trata-se de um péssimo livro. Com esta biografia não se aprende nada de relevante sobre a carreira e a ascensão política de José Sócrates que não estivesse já nos jornais. A narrativa dos acontecimentos decisivos (a candidatura à liderança do PS, a maioria absoluta) não acrescenta dados novos. Se Sócrates, num ou noutro episódio, é alvo de ataques, Eduarda Maio não os investiga; aproveita apenas para realçar as qualidades que levaram o nosso Herói a resistir-lhes. "À firmeza do seu trabalho parlamentar, José Sócrates juntava agora o seu espírito. Gostava de quebrar a solenidade pardacenta das sessões, de remoçar o debate político salpicando-o de humor e sacudindo-lhe o excesso de sisudez e de monotonia" (p.211). O tom é "hagiográfico", disse Pacheco Pereira. Pior que isso: é parolo.
Há páginas e páginas de resumos de peças de propaganda, como artigos de jornal ou programas partidários; e passagens chatas e compridas como quem recita em versão alargada um curriculum vitae. A abordagem da autora consiste numa espécie de contemplação beata. Maio entrevistou alguns próximos de Sócrates, que lhe contaram como o nosso primeiro-ministro é um "bom amigo", um "menino de ouro", tem extraordinárias capacidades de trabalho e é um devoto dos livros. "«Quando ele teve que aumentar o IVA, nem dormiu na noite anterior», afirma Renato Sampaio" (p.311). Nem por uma vez a jornalista se lembra de investigar o que está realmente em jogo nessas amizades e inimizades políticas, o que as move, o que torna o nosso homem tão "persuasivo" – em suma, tudo aquilo que é propriamente a política. E nunca, sobre uma matéria controversa (a co-incineração, o caso da licenciatura, conflitos pessoais variados), dá voz aos críticos.
Seria possível escrever uma biografia interessante sobre o actual primeiro-ministro? É tentador pensar que os nossos actuais líderes, seguindo uma tendência que é sociológica e que não é portuguesa, não são propriamente personagens carismáticas, mas indivíduos formados nas máquinas partidárias, que (sejam quais forem outras qualidades que eventualmente tenham) não têm vidas aventurosas nem biografias emocionantes.
Tudo isso é certo, mas há ainda qualquer coisa de relevante nesse cinzentismo. Talvez José Sócrates, Filipe Menezes, Passos Coelho, não se prestem a histórias fascinantes; mas prestam-se, apesar de tudo, a uma história relevante da nossa democracia. Através da biografia de um deles poderíamos conhecer alguma coisa sobre os mecanismos que fazem de um indivíduo um caso de sucesso político nos dias de hoje: aquilo que realmente condiciona promoções e despromoções, alianças e zangas, numa época em que os confrontos ideológicos estão esbatidos. Mesmo sem fazer um julgamento sumário do regime, importava conhecer um pouco mais sobre o funcionamento interno dessas instituições cruciais da democracia que são os partidos políticos. Há uma biografia política que mereceria a pena ser escrita, sobre um homem banal num regime banal.
E – uma última nota – eu não detesto Sócrates pessoalmente, como figura. Suspeito até – suspeito apenas, porque a biografia de Maio não dá para mais – de que mesmo no plano pessoal haveria algo de interessante para contar na história de um José Sócrates. Aos sete anos de idade, viveu o divórcio litigioso dos pais, que se arrastou em tribunal por seis anos; e até aos 16 ficou afastado da mãe e dos seus dois irmãos. Folheando o livro, é difícil não reparar nas fotos de infância desta criança que nunca sorri; e que tem outras tragédias na sua vida familiar. Não estou a incitar ao voyeurismo, mas não seria relevante investigar a relação entre a criança das fotos e o político que, paradoxalmente, se tornou popular (pelo menos numa dada fase) por uma certa reserva e mesmo uma certa antipatia? Outros superam tristezas por uma extroversão exuberante e maníaca; não assim Sócrates. Mas, numa biografia de 350 páginas, de prosa redundante e rendilhada (e frequentemente ridícula), Maio não dedica uma linha a investigar como é que a criança que depois foi primeiro-ministro atravessou tudo isto.
sexta-feira, junho 27, 2008
sexta-feira, junho 20, 2008
Diva à matiné
A jornalista Lara Logan é correspondente do canal de televisão CBS no Iraque e resolveu denunciar a cobertura que os media americanos fazem da guerra.
quarta-feira, junho 18, 2008
19 de Julho

Tonight, in his suit and hat, he resembles a senior 1920s mobster, only with a guitar instead of a tommy gun.
When he and his similarly attired band open with the Italian-flavoured Dance Me to the End of Love, we could almost be at a mafia wedding. The hat is gracefully doffed to acknowledge applause.
Cohen's baritone has become deeper and more formidable over the years; the line in Tower of Song - "I was born with the gift of a golden voice" - prompts a wave of knowing laughter and applause. The golden voice now resembles a boulder rolling down a tunnel: something huge and elemental.
Older songs such as Suzanne lure him back to the upper limits of his range, but most of the material dates from after he discovered synthesizers and politics in the 80s.
The acrid, dystopian humour of The Future and First We Take Manhattan is as resonant now as it was 20 years ago, a reminder that the only people who dub Cohen depressing are those that don't get the jokes. He delivers plenty tonight, like a wry nightclub host.
"Please sit down," he says after one standing ovation. "It makes me nervous. I think you're going to leave."
(...) Seizing his magnificent Hallelujah back from Jeff Buckley, Rufus Wainwright and dozens more, he is possessed by the words, his eyes squeezed tight, his body trembling.
After three hours, the final encore is the aptly titled I Tried to Leave You. "Goodnight my darling/ I hope you're satisfied," Cohen rumbles with a wink. "Here's a man still working for your smile."