segunda-feira, dezembro 10, 2007

Qual foi o melhor livro que leu este ano?
Foi Assim, de Zita Seabra
Bilhete de Identidade, de Maria Filomena Monica
Eu, Carolina, de Carolina Salgado
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sexta-feira, dezembro 07, 2007

Neil Jordan



Eu não gostei de Jogo de Lágrimas e também não gostei de A Estranha em Mim por aí além. Mas eu gostar ou não gostar interessa pouco. O que me parece é que A Estranha em Mim tem inscrito em letras grandes que é produto da mesma mão que fez Jogo de Lágrimas. São filmes não apenas cheios de implicações morais, mas de interpelações morais ao espectador. São filmes com uma tonalidade sentimental carregada (que é do que eu gosto menos, mas lhes é intrínseco). São ambos filmes violentos, intensos, cujo formato de base (se a memória não me falha quanto a Jogo de Lágrimas) é o thriller. São filmes em que os «inimigos» - os protagonistas, que se encontram em lados opostos de uma fronteira moral, que aliás lhes é vital - são inimigos íntimos: Terrence Howard e Jodie Foster, Stephen Rea e Forest Whitaker. (São filmes em que um dos protagonistas é preto.) O facto de serem protagonizados por inimigos íntimos intensifica e humaniza o conflito moral que está a desenrolar-se, porque os espectadores são colocados dos dois lados da fronteira: os próprios protagonistas são tão próximos um do outro que parecem poder mudar de lado (embora, insisto, abracem vitalmente o lado que é o seu).
E, enfim, também são filmes muito eficazes, bem feitos, dentro de uma concepção perfeitamente mainstream e hollywoodesca. A Estranha em Mim tem inclusivamente alguns achados narrativos, como colocar o polícia Terrence Howard sistematicamente atascado em engarrafamentos de trânsito.

domingo, novembro 25, 2007

Alvalade XXI


A sala de cinema Raj Mandir, em Jaipur, no Rajastão, com 1200 lugares, e um foyer que só visto

Talvez uma das razões para a exuberância e romantismo kitsch dos filmes de Bollywood seja que, na Índia, ir ao cinema ainda é uma actividade social e uma actividade de massas.
Ultimamente, uma grande parte dos filmes que estreiam por cá parecem sitcoms ou jogos de computador.

A juntar a todas as outras coisas boas que há no Estádio de Alvalade, o cinema tem agora uma «sala Bollywood».

Stanley Cavell

Sou a pessoa que eu conheço menos capaz de ver um filme em dvd do princípio ao fim. Deve ter alguma coisa que ver com isto:
One of the things about film is the gigantism of the images, which dwarf you, which infantilize you, which make you speechless.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Ui! E como rimos!

A crónica das amenidades trocadas entre Ana Gomes e Miguel Portas nos corredores do Parlamento Europeu não tem a gentlemanship das aventuras de João Carlos Espada nos clubs de Oxford. Em contrapartida, há já nelas uma promessa de encanto plebeu que merece ser acarinhada:

Ontem, enquanto votavamos no plenário do PE, onde agora somos vizinhos, demarcando onde acaba o PSE e começa o GUE na nossa fila, o Miguel Portas avisou-me que se tinha “metido comigo” no blogue. Rimos quando lhe ripostei: “era o que tu querias, que eu te desse trela...”.

A graça! O chiste! Encore un effort!

quarta-feira, novembro 14, 2007

A biologia

«No caso do PCP, só a biologia impediu que tenha a mesma direcção de 1941.»
[Rui Ramos, na crónica de hoje no Público.]

quarta-feira, novembro 07, 2007

A linha

Tenho isto aqui há uma semana, à espera que alguém pergunte.
A 5ª frase completa da pág.161 do livro que tenho mais à mão.

«Internally, Germany has a good deal in common with a Socialist state.»


[O ensaio em questão é «The Lion and the Unicorn: Socialism and the English genius», de 1940. A Alemanha a que se refere é a Alemanha nazi].

Gostava de saber qual é o livro que neste preciso momento têm mais à mão Pedro Ornelas, Penélope Cruz, Quentin Tarantino, Medeiros Ferreira e Iga A. (esta vai sem link porque há crianças a ver).

R.I.P.

Quem quer que tenha uma afinidade, mesmo que remota, com o comunismo como ideologia não pode deixar de se sentir um pouco descorçoado ao ler o artigo que o suplemento P2 do Público hoje dedica à revolução de Outubro. Meia-dúzia de intelectuais (ou aparentados) emitem meia-dúzia de proclamações, nem sequer enfáticas, de pendor sentimental sobre o comunismo. A questão que me parece interessante realçar é que hoje em dia não existe em Portugal qualquer partido que tenha o marxismo por ideologia: não o BE, evidentemente (a frase de Miguel Portas com que o texto termina tem pelo menos a virtude de o deixar claro), nem o PCP. Para o PCP, nem mesmo essa ideologia degenerada a que se chamou marxismo-leninismo funciona mais como cartilha. Em certo sentido, são todos já pós-ideológicos, não sabem para onde estão a ir nem têm grandes coordenadas que ajudem a orientar o caminho. Suspeito que aqueles que há vinte anos disseram que o comunismo morria com a queda do Muro tivessem muita razão.