Quem quer que tenha uma afinidade, mesmo que remota, com o comunismo como ideologia não pode deixar de se sentir um pouco descorçoado ao ler o artigo que o suplemento P2 do Público hoje dedica à revolução de Outubro. Meia-dúzia de intelectuais (ou aparentados) emitem meia-dúzia de proclamações, nem sequer enfáticas, de pendor sentimental sobre o comunismo. A questão que me parece interessante realçar é que hoje em dia não existe em Portugal qualquer partido que tenha o marxismo por ideologia: não o BE, evidentemente (a frase de Miguel Portas com que o texto termina tem pelo menos a virtude de o deixar claro), nem o PCP. Para o PCP, nem mesmo essa ideologia degenerada a que se chamou marxismo-leninismo funciona mais como cartilha. Em certo sentido, são todos já pós-ideológicos, não sabem para onde estão a ir nem têm grandes coordenadas que ajudem a orientar o caminho. Suspeito que aqueles que há vinte anos disseram que o comunismo morria com a queda do Muro tivessem muita razão.
quarta-feira, novembro 07, 2007
sexta-feira, outubro 19, 2007
O prestígio de Lisboa
Custam-me a perceber os ganhos associados ao facto de Lisboa ter um tratado com o seu nome, mesmo admitindo que o tratado seja «histórico» e duradouro. Alguém foi visitar Maastricht para descobrir o solo fértil do sonho europeu?
O que traz inegável prestígio ao país e à cidade é uma temperatura de 27 graus no fim de Outubro. Quem é o jornalista, burocrata ou dirigente europeu que sai daqui sem vontade de regressar para um fim-de-semana com a namorada?
quinta-feira, outubro 18, 2007
A invasão do Iraque
A Turquia prepara-se para invadir o Iraque. George W. Bush avisa que tal opção «não é do interesse da Turquia», «há maneiras melhores de lidar com o assunto do que o envio massivo de tropas para o Iraque». Durão Barroso insta as autoridades turcas «a procurarem uma solução pelo diálogo e no âmbito do Direito Internacional».
A história repete-se - primeiro como tragédia, depois como farsa, dizia Karl Marx. Como tragédia, sim. Mas isto é mais paródia do que farsa.
A história repete-se - primeiro como tragédia, depois como farsa, dizia Karl Marx. Como tragédia, sim. Mas isto é mais paródia do que farsa.
segunda-feira, outubro 15, 2007
sexta-feira, outubro 12, 2007
Reputo
Sobre o dito livro, o Público traz hoje (no Ípsilon) uma recensão que eu reputo de boa. Já o texto do New York Times sobre o mesmo livro eu reputo de muito bom, e o do The Hindu reputo de excelente. Achei também que esta entrevista é melhor do que o livro.
Tudo mentira
No dia 16 de Novembro de 1996, o Paulo Varela Gomes, que havia chegado à Índia talvez dois meses antes, escreveu-me uma carta com a seguinte passagem:
«Estás a ver aquelas fotografias de camponeses asiáticos de turbante na cabeça e telemóvel? (...) É tudo mentira.»
Eis a capa de um livro sobre a Índia recentemente publicado em Portugal:
«Estás a ver aquelas fotografias de camponeses asiáticos de turbante na cabeça e telemóvel? (...) É tudo mentira.»
Eis a capa de um livro sobre a Índia recentemente publicado em Portugal:
Novilíngua
Menezes e Santana anunciaram ontem ter firmado «um acordo de colaboração institucional», que a imprensa e a televisão reproduziram sem pestanejar. «Institucional»? Que eu saiba, Menezes ainda é líder do PSD; mas qual é a instituição que Santana representa? «Institucional» tornou-se sem dúvida das palavras mais esculhambadas da língua portuguesa.
terça-feira, outubro 09, 2007
Palavras difíceis (2)
No editorial do Público de ontem, José Manuel Fernandes insurge-se contra a «defenestração» do cemitério israelita em Lisboa.
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