quarta-feira, julho 04, 2007

Back in 2003

Aliás, foi ontem.

Brzezinski


Na Câmara Corporativa, o vídeo de uma apresentadora de televisão que se recusa – em directo – a abrir o noticiário com uma história sobre Paris Hilton. O programa é o informativo da manhã do canal MNSBC de 26 de Junho deste ano. Quando a produção volta a pôr-lhe nas mãos o mesmo texto, ela sai e vai destruí-lo numa daquelas máquinas de desfazer papel. Há uma curiosidade adicional: Mika Brzezinski, a jornalista, é filha do antigo Conselheiro Nacional de Segurança dos EUA (durante a presidência de Jimmy Carter) Zbigniew Brzezinski, que continua a ser um dos especialistas norte-americanos mais relevantes em política internacional do campo «Democrata».

A ponte

A ponte é uma passagem/ pra outra margem, cantavam os Jáfumega já há muitos anos. Na Golden Gate Bridge de São Francisco (de que a velha Ponte sobre o Tejo é uma cópia), os versos ganham um sabor mais metafísico, sabendo que se trata de um dos lugares mais utilizados no mundo para tentar o suicídio. Confiando nas estatísticas, uma equipa de cinema norte-americana colocou uma câmara apontada à ponte durante um ano, e esperou que caíssem. Literalmente.
O resultado é A Ponte, um filme que está em exibição nas Amoreiras. Palavras definitivas sobre o assunto foram escritas por Luís Miguel Oliveira no Público. Cito de memória: filmar o suicídio como um dispositivo de suspense (salta, não salta) não lembrava ao diabo. E: com a propagação do you tube, A Ponte é um modelo que será repetido muitas vezes no futuro.
Em suma, trata-se com toda a certeza do filme mais asqueroso do ano. As imagens dos suicídios (reais) são intervaladas com entrevistas a familiares e amigos dos suicidas; mas entrevistas muito superficiais. Não há dados, não há informação, não há propriamente ideias nem novidades sobre o suicídio: o sumo é poder ver o acto em si. Salva-se o depoimento de um rapaz que, ao saltar da ponte, se deu conta de que não queria morrer, e conseguiu endireitar o corpo, de maneira que ficou apenas muito partido. Confrange encontrar críticos que viram inteligência ou profundidade ou substância no filme.

«"The Bridge" is too busy jumping from one mini-biography to the next and popping in artful shots of birds and clouds. The film offers no statistics, no questions and no new revelations». Aqui.
«The decision to keep the process of filming out of the film robs it of too much context.»
Aqui.

Cenas da luta de classes (2)

É pena que o texto de Timothy Garton Ash sobre São Paulo, no Guardian da semana passada, seja tão pobrezinho. Para dizer estas banalidades não era preciso sair de Oxford. Uma passagem, porém, é exata:

As descrições feitas por pessoas de esquerda sobre o que é a vida nos bairros pobres de São Paulo, no decorrer de um excelente almoço num dos extraordinários restaurantes da cidade, começam sempre por «A minha empregada». Como na frase: «Minha empregada se levanta todo o dia às quatro da manhã para estar no meu apartamento às oito.»

Assisti a conversas exactamente assim. Lembro-me em particular de um jantar em Ipanema. A empregada era necessária para tomar conta das crianças pequenas. Como morava longe, entrava às segundas às oito da manhã, e saía ao sábado ao fim do dia; folgava ao domingo. A própria empregada tinha filhos pequenos, que via uma vez por semana, e que eram criados por familiares e vizinhos.
E lembro-me desta conversa porque a senhora – uma senhora simpática, decente, civilizada – estava um pouco incomodada por ter acabado de despedir a dita empregada, depois de esta chegar atrasada ao trabalho duas segundas-feiras. Ia ser um transtorno, as crianças estavam muito acostumadas com a rapariga.

terça-feira, junho 26, 2007

Cursos de Verão na UNL


Têm-se visto muitas universidades de Verão, mas poucas com uma adequação tão perfeita entre a estação do ano e a matéria leccionada.

segunda-feira, junho 25, 2007

Resumo da manhã informativa

Situação muito complicada no IC 19 e no Sul do Líbano.

quinta-feira, junho 21, 2007

Depois de ler a resposta da Helena Matos (hoje) a este texto do Rui Tavares, a gente começa a imaginar se o título do blog dele é alguma piada sobre ela.

terça-feira, junho 19, 2007

Tesourinhos deprimentes: «isto é uma mais-valia»


Helena Roseta a celebrar o Santo António, que já tinha celebrado ontem. Isto chegou-me por email.

Isto demora


Marina Hands, em quem toda a gente reparou

A adaptação francesa de O Amante de Lady Chatterley, que se estreou há dias, merece a atenção que se lhe tem estado a dar. A primeira coisa que me surpreendeu foi a forma como é filmada a natureza: flores, plantas, chuva, talvez insectos e bichos (não me lembro). É uma maneira muito incomum, porque geralmente tem-se demasiado medo de ser piroso. Mas a cineasta francesa capta com muita justeza a concepção «quase panteísta» (a expressão é do Mexia, no ípsilon de sexta) presente naquele amor, a forma como o deslumbramento amoroso dos dois é intrinsecamente sexual, portanto físico, portanto em comunhão com a natureza.

A segunda coisa é a relação entre os protagonistas, amantes, a forma como evolui. O filme é longo: tem mais de duas horas e meia. Mas é longo porque é lento, e é lento porque a lentidão faz falta ao desenvolvimento da relação entre as duas personagens: uma relação em que muitas coisas se passam sem serem ditas. Imagino que fosse possível fazer avançar a «acção» mais depressa se mais coisas fossem postas em palavras; mas, para que aquele amor funcionasse, era importante que as coisas fossem sobretudo mostradas, vistas, não-ditas. Se o filme é longo, é por uma boa razão: parece-me merecedor dos muitos elogios e prémios que tem recebido.

segunda-feira, junho 18, 2007

Uma forma de batota

Duas ou três semanas atrás, eu comprei o Público, como faço aos sábados e apenas aos sábados. Mas, nesse dia, o artigo mais interessante não era a crónica do Mexia nem o texto do Pacheco Pereira, como costuma ser, e sim uma entrevista no P2 com um psicólogo de Harvard sobre o mais improvável dos assuntos: a felicidade. Dava-se a circunstância de nessa mesma semana o dito psicólogo (Daniel Gilbert) vir a Lisboa, à Culturgest, falar sobre o tema, no âmbito de um seminário sobre A busca da felicidade. Registei na agenda.

E foi, de facto, um excelente seminário, bem organizado, com uma série de oradores de topo na matéria em questão. A conferência de Daniel Gilbert foi, muito simplesmente, a conferência mais estimulante, divertida, entretinente a que eu alguma vez assisti: uma hora como se fosse um concerto de música pop, e realmente havia qualquer coisa de pop na personagem. O livro, que encomendei na amazon, chegou hoje. Li até agora apenas o prefácio: todas as frases são divertidas, o que por outro lado, de certa maneira, até aborrece. Sinto-me incapaz de elaborar juízos críticos, literalmente subornado pelo sentido de humor.

Também já está à venda na fnac, no original, e até com uma tradução portuguesa.