quarta-feira, julho 04, 2007

Cenas da luta de classes (2)

É pena que o texto de Timothy Garton Ash sobre São Paulo, no Guardian da semana passada, seja tão pobrezinho. Para dizer estas banalidades não era preciso sair de Oxford. Uma passagem, porém, é exata:

As descrições feitas por pessoas de esquerda sobre o que é a vida nos bairros pobres de São Paulo, no decorrer de um excelente almoço num dos extraordinários restaurantes da cidade, começam sempre por «A minha empregada». Como na frase: «Minha empregada se levanta todo o dia às quatro da manhã para estar no meu apartamento às oito.»

Assisti a conversas exactamente assim. Lembro-me em particular de um jantar em Ipanema. A empregada era necessária para tomar conta das crianças pequenas. Como morava longe, entrava às segundas às oito da manhã, e saía ao sábado ao fim do dia; folgava ao domingo. A própria empregada tinha filhos pequenos, que via uma vez por semana, e que eram criados por familiares e vizinhos.
E lembro-me desta conversa porque a senhora – uma senhora simpática, decente, civilizada – estava um pouco incomodada por ter acabado de despedir a dita empregada, depois de esta chegar atrasada ao trabalho duas segundas-feiras. Ia ser um transtorno, as crianças estavam muito acostumadas com a rapariga.

terça-feira, junho 26, 2007

Cursos de Verão na UNL


Têm-se visto muitas universidades de Verão, mas poucas com uma adequação tão perfeita entre a estação do ano e a matéria leccionada.

segunda-feira, junho 25, 2007

Resumo da manhã informativa

Situação muito complicada no IC 19 e no Sul do Líbano.

quinta-feira, junho 21, 2007

Depois de ler a resposta da Helena Matos (hoje) a este texto do Rui Tavares, a gente começa a imaginar se o título do blog dele é alguma piada sobre ela.

terça-feira, junho 19, 2007

Tesourinhos deprimentes: «isto é uma mais-valia»


Helena Roseta a celebrar o Santo António, que já tinha celebrado ontem. Isto chegou-me por email.

Isto demora


Marina Hands, em quem toda a gente reparou

A adaptação francesa de O Amante de Lady Chatterley, que se estreou há dias, merece a atenção que se lhe tem estado a dar. A primeira coisa que me surpreendeu foi a forma como é filmada a natureza: flores, plantas, chuva, talvez insectos e bichos (não me lembro). É uma maneira muito incomum, porque geralmente tem-se demasiado medo de ser piroso. Mas a cineasta francesa capta com muita justeza a concepção «quase panteísta» (a expressão é do Mexia, no ípsilon de sexta) presente naquele amor, a forma como o deslumbramento amoroso dos dois é intrinsecamente sexual, portanto físico, portanto em comunhão com a natureza.

A segunda coisa é a relação entre os protagonistas, amantes, a forma como evolui. O filme é longo: tem mais de duas horas e meia. Mas é longo porque é lento, e é lento porque a lentidão faz falta ao desenvolvimento da relação entre as duas personagens: uma relação em que muitas coisas se passam sem serem ditas. Imagino que fosse possível fazer avançar a «acção» mais depressa se mais coisas fossem postas em palavras; mas, para que aquele amor funcionasse, era importante que as coisas fossem sobretudo mostradas, vistas, não-ditas. Se o filme é longo, é por uma boa razão: parece-me merecedor dos muitos elogios e prémios que tem recebido.

segunda-feira, junho 18, 2007

Uma forma de batota

Duas ou três semanas atrás, eu comprei o Público, como faço aos sábados e apenas aos sábados. Mas, nesse dia, o artigo mais interessante não era a crónica do Mexia nem o texto do Pacheco Pereira, como costuma ser, e sim uma entrevista no P2 com um psicólogo de Harvard sobre o mais improvável dos assuntos: a felicidade. Dava-se a circunstância de nessa mesma semana o dito psicólogo (Daniel Gilbert) vir a Lisboa, à Culturgest, falar sobre o tema, no âmbito de um seminário sobre A busca da felicidade. Registei na agenda.

E foi, de facto, um excelente seminário, bem organizado, com uma série de oradores de topo na matéria em questão. A conferência de Daniel Gilbert foi, muito simplesmente, a conferência mais estimulante, divertida, entretinente a que eu alguma vez assisti: uma hora como se fosse um concerto de música pop, e realmente havia qualquer coisa de pop na personagem. O livro, que encomendei na amazon, chegou hoje. Li até agora apenas o prefácio: todas as frases são divertidas, o que por outro lado, de certa maneira, até aborrece. Sinto-me incapaz de elaborar juízos críticos, literalmente subornado pelo sentido de humor.

Também já está à venda na fnac, no original, e até com uma tradução portuguesa.

quinta-feira, junho 14, 2007

Orquídea selvagem

[ou Let's start a magazine]

Gostei realmente muito do texto autobiográfico de Rorty, de tal forma que me apeteceu traduzi-lo. Mas seria preciso fundar uma revista para o publicar, e isso é que já dá mais trabalho.

I am sometimes told, by critics from both ends of the political spectrum, that my views are so weird as to be merely frivolous. They suspect that I will say anything to get a gasp, that I am just amusing myself by contradicting everybody else. This hurts. So I have tried, in what follows, to say something about how I got into my present position - how I got into philosophy, and then found myself unable to use philosophy for the purpose I had originally had in mind. Perhaps this bit of autobiography will make clear that, even if my views about the relation of philosophy and politics are odd, they were not adopted for frivolous reasons. [continua.]

quarta-feira, junho 13, 2007

Assim foi Gena Rowlands


Uma resposta sombria a E Deus Criou a Mulher. O que Deus faz, Deus desfaz.

Hollywood


Na versão de Hollywood do blog Estado Civil, Ryan Gosling fará o protagonista.