sexta-feira, junho 01, 2007
Morrer por morrer
sexta-feira, maio 25, 2007
Assuntos judaicos
Trabalho não-remunerado
Na ocasião, Mucznick acusar-me-á de não sentir suficientemente a dor pelo desaparecimento de Madeleine McCann e de me identificar com o ponto de vista dos raptores. A discussão tornar-se-á azeda, e o que tudo isto faz pensar é como as pessoas são mesquinhas, incapazes de dar as mãos e ultrapassar as suas pequenas quezílias, mesmo quando acontecem coisas que deviam tocar-nos a todos por igual, como o desaparecimento da pequena Maddie.
O Rádio Clube Português tem cobertura nacional. Em Lisboa, pode ser sintonizado em 104.3 ou ouvido directamente online em http://radioclube.clix.pt/.
quarta-feira, maio 23, 2007
Pequeno manifesto sobre Lisboa
[Post, em boa verdade, roubado a uma não-blogger.]
terça-feira, maio 22, 2007
A disposição do espírito
sexta-feira, maio 18, 2007
Dores de simpatia

Tenerife: Playa de las Américas, 1993
Através do livro que reúne as crónicas de João Pereira Coutinho na Folha de São Paulo (que foi distribuído com a revista Sábado na semana passada), chego a um conjunto de fotografias do inglês Martin Parr, organizadas sob o título genérico Bored Couples. O aborrecimento, o tédio, dizem-me, é o grande assassino do amor. Digo «dizem-me» porque falam assim todas as pessoas que sabem do assunto, e eu, embora tenha participado já de mais de uma mão-cheia de parelhas, sempre vi doenças mais fulminantes do que o tédio destruirem tudo. Sob essa vasta palavra do tédio, nestas fotos, a primeira coisa que me salta à vista é a violência contida. Aliás, esta violência é contida porque não se dirige principalmente ao outro. Vejamos o casal velho de Tenerife: sabemos que eles estão aborrecidos sem sequer lhes vermos as caras. Talvez por isso esta seja – talvez – a minha foto preferida. O que é aborrecido na foto? As roupas, o cenário? Sem dúvida que as roupas pobres e a paisagem árida não ajudam; mas o que está aborrecido aqui é mesmo o casal. Sobretudo ele. Naquele pescoço meio voltado para o outro lado – de todos os lados possíveis, de todos os lados igualmente desinteressantes – o homem voltou-se para o outro lado; aliás, chegou-se três passos à frente da mulher, nas suas pernas finas, com fracas forças, ridículas, e inclinou o pescoço para a direita. Conquistou talvez um horizonte de liberdade, um espaço para onde pudesse olhar e pensar sobre o que lhe estava acontecendo, como se ninguém mais estivesse ali: pensar sobre a raiva, sobre as suas origens, possíveis saídas. Aborrecido? O homem está zangado, encurralado, talvez zangado também por estar zangado. Está de férias em Tenerife, veste as roupas que é suposto vestir, aquelas que ele escolheu (ou escolheram para ele) com o seu dinheiro, com a mulher que ele escolheu, e é aquilo. A mulher feita barata tonta olha na direcção dele: a tentar segurar as pontas, apanhar os cacos. Muitas das vezes uma parte está só a tentar apanhar os cacos. Ela não tem culpa.
O aborrecimento? Não é o aborrecimento. O homem no fast-food olha para a esquerda. Sente-se «cabreado», fodido-e-mal-pago, atraiçoado, encornado. O homem no bar, perante um monte de cervejas vazias, olha para o lado mais distante possível. Tudo nele transmite agressividade. O homem no restaurante de praia está positivamente violento; mas a luta não deve ser com a mulher, ele está de olhos fechados, talvez nem se tenha dado bem conta, se lhe tirassem outra foto, com pose, talvez estivesse a sorrir. Ela não está em posição de combate e simplesmente procura pontos de apoio algures na perspectiva. O casalinho da Finlândia que foi sair pela primeira vez num sábado à tarde está encornado: também perdido, sem referências, sem conhecer as regras, sem poder adequar-se ao jogo que lhes foi proposto como sendo desejável. Fodido.
Mas é este o meu ponto: estes casais, aborrecidos, tediosos na aparência, ridículos, estão todos constrangidos numa situação que não aceitam. Não estão só aborrecidos: estão chateados, no duplo sentido que a expressão tem em português. O que os define é o seu carácter ausente: mas, se não estão aqui, estão noutro lado. Nenhuma destas pessoas aceita o destino em que vive, mesmo que não tenha encontrado a chave para sair disso. Não direi que são heróis; não direi sequer, com optimismo, que encontrarão a chave, que haverá outro lado. Não direi que são boas pessoas, respeitadoras, conformes com a dignidade dos outros e dos votos que fizeram. Direi apenas que não são conformados, nem aborrecidos, mas rebeldes, gente à procura de outra coisa, alguns deles positivamente desesperados nisso, muitos talvez sem pensarem nas coisas assim. O que me inspiram não é comiseração, mas simpatia, como afeição e como semelhança.

Maiorca, 1993
No barco chamado «do amor» (eu já estive aqui) que faz a viagem de noite entre Estocolmo e Helsínquia, 1991
Ah, e as crónicas do Coutinho? Vocês sabem: exibicionismo de nomes e na pontuação, nas fórmulas gastas e na insistência piadética. Mas - não há por que hesitar - escrita fluente e, uma vez por outra, com um achado:
Em uma ou outra em até encontrei uma sensibilidade próxima da minha:
Embora não, por exemplo, no texto sobre as fotos de Parr. Alguém disse uma vez que o João Pereira Coutinho era «um rapazinho», e eu não quis aceitar, pensando que ele fosse muito pior do que isso. Mas era verdade: não se justifica tanta hostilidade, porque aquilo que João Pereira Coutinho é, é um rapazinho. Nalguns momentos, até, um bom rapazinho.
Stasi
Saudosos anos 90
Através do blog do Economist, chego ao video do Barbie Girl no you tube. Acho difícil que nos últimos dez anos a cultura pop tenha produzido alguma coisa melhor do que isto.
I'm a Barbie girl in the Barbie world
Life in plastic, it's fantastic
You can brush my hair, undress me everywhere
Imagination, life is your creation
- Come on Barbie, let's go party
- I'm a blonde bimbo girl in the fantasy world
Dress me up, make it tight, I'm your dollie
- You're my doll, rock'n'roll, feel the glamour in pink
Kiss me here, touch me there, hanky-panky
- You can touch, you can play
if you say I'm always yours




